Together We Protect – Zoomarine

O pescador, a tartaruga, e o satélite que os une

Em junho de 2021, perto das margens do Rio Guadiana no Azinhal, um pescador salvou uma tartaruga de morrer afogada. E porque havia o risco desta desenvolver uma pneumonia por aspiração (por ter ficado presa nas redes e poder ter, inadvertidamente, inalado água), esse pescador, Ricardo Gonçalves, solicitou à equipa de especialistas do Porto d’Abrigo do Zoomarine que a recolhesse, para observação, tratamento e posterior devolução ao meio selvagem. Treze meses volvidos, a tartaruga-comum regressa ao Mar, numa renovada cooperação entre o Zoomarine e a Marinha Portuguesa, honrando o nobre esforço de um pescador que soube ter agilidade, visão, coragem e empatia.

A tartaruga marinha, entretanto batizada de Salina, é um exemplar da espécie Caretta caretta, a mais comum nas águas portuguesas — é uma espécie protegida, que urge defender da possível extinção. Chegou ao Porto d’Abrigo com 63 cm e 38,7 kg, e vai regressar maior (67 cm) e bem mais pesada (51,8 kg).
Não tão incomum foi o anzol que um raio-X detetou cravado quase à entrada do estômago desta tartaruga. Várias tentativas realizadas pelo Dr. José Sampayo, um especialista internacional em endoscopia zoológica, revelaram-se infrutíferas para remover, com segurança, o dito; no entanto, como o evento já é antigo e o anzol já está totalmente envolvido em tecido, assumiu-se que o mesmo já não representa perigo e que, com o tempo, se desintegrará.

Entretanto, chegou a altura da Salina regressar ao mar. A devolução terá lugar a bordo do NRP Cassiopeia, que largará às 08h30, no Cais Comercial de Faro, e com destino às 12 milhas naúticas (22 quilómetros) a sul.

E como de banal a história da Salina pouco tem, também o seu regresso será pouco tradicional – porque acoplado à sua carapaça estará um equipamento (KiwiSat Argos) que, se tudo decorrer como previsto, nos permitirá acompanhar, ao longo dos próximos 425 dias, aproximadamente, a sua progressão pelos mares deste planeta. Decerto que esta será a melhor forma do seu salvador, Ricardo Gonçalves, acompanhar a tartaruga que ajudou a salvar e que para sempre lhe será especial (www.seaturtle.org/tracking/index.shtml?tag_id=236274).

Entretanto, por mais observada que continue a ser, a esperança é que a Salina nunca mais se defrontre com humanos. Entretanto, e infelizmente, os riscos à sua sobrevivência, mesmo longe da nossa espécie, serão imensos — e muitos deles continuarão associados às nossas atividades, incúrias, ganâncias ou simples irresponsabilidades… No entanto, graças à generosidade e sensibilidade de um pescador do Azinhal, e à equipa multidisciplinar dos seus cuidadores zoológicos, a partir de agora a Salina pode voltar a tentar cumprir o seu destino — a bem da sua espécie e do nosso Planeta…

Até sempre, Salina!

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