Together We Protect – Zoomarine

A grande viagem mediterrânica da Salina

Quando, em junho de 2021, o pescador Ricardo Gonçalves resgatou uma tartaruga marinha de redes de pesca no rio Guadiana, decerto que estaria longe de imaginar que, graças ao seu sangue-frio, rapidez de resposta, e boa ponderação, um dia, tal exemplar da espécie Caretta caretta iria regressar ao mar em tais condições que nos mostraria o que uma tartaruga sabe fazer de melhor: nadar muito! No entanto, é precisamente isso que está a acontecer com a Salina, que foi devolvida ao mar há precisamente um mês e que, desde então, já nadou… 1500 quilómetros.

À chegada ao Porto d’Abrigo do Zoomarine, em junho de 2021, a Salina estava muito anémica, tinha um anzol cravado à entrada do estômago, e apresentava um elevado risco de desenvolver uma pneumonia por aspiração. No entanto, esta tartaruga recebeu uma segunda oportunidade de vida quando, a 20 de julho de 2022, numa cooperação entre a equipa de especialistas do Zoomarine e a Marinha Portuguesa (Departamento Marítimo do Sul), se honrou o nobre esforço de Ricardo Gonçalves, e a tartaruga marinha foi devolvida ao mar a cerca de 20 quilómetros a sul de Faro.

Entretanto, os dados recolhidos por satélites mostram que, em apenas 30 dias, a Salina tem nadado a uma média superior a 50 quilómetros por dia. Neste primeiro mês de regresso ao oceano, esta determinada tartaruga-comum passou ao largo do golfo de Cadiz, nadou junto à costa de Tanger, entrou no Estreito de Gibraltar, e, desde então, navega em grandes círculos ao longo do Mar de Alborão, entre Malaga (Espanha) e El Jehba (Marrocos). Está, agora, a cerca de 345 quilómetros (em linha recta) do local onde foi devolvida – e parece estar excelente!

Se as condições se mantiverem, a Salina (que, com o passar dos anos, até poderá revelar ser ‘o Salino’…) deverá continuar o seu percurso, indiferente à contribuição que está a fazer para a ciência – e é assim que deve ser, para respeitar o seu bem-estar e o seu regresso a uma vida tranquila, honrando a biologia da espécie (vivendo dezenas de anos, reproduzindo-se anualmente, e nunca mais se cruzando com humanos).

Força, Salina! Que se cumpram os teus desígnios – e embora não o saibas, continuamos contigo, diariamente, olhando sempre com ansiedade (mas também com alegria e paternal orgulho) para o ecrã de um computador.

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