Together We Protect – Zoomarine

É Kara e Coroa

Por mais voltas que se dê, o feliz resultado será sempre o mesmo: reabilitada e devolúvel. 

Desta forma, é inevitável que no dia 24 de Julho uma tartaruga marinha, encontrada a 13 de Setembro (presa em redes de pesca, ao largo de Quarteira), regresse ao Oceano, depois de 10 meses a receber cuidados médicos no Porto d’Abrigo do Zoomarine.Nos últimos meses, os desafios têm sido vários. No entanto, nem a necessidade de recolher, ao longo das praias Algarvias, inúmeros quilos de algas marinhas impediu aquele que é o único objectivo: reabilitar esta tartaruga-verde e proporcionar-lhe uma segunda oportunidade de vida independente no Oceano. Pertencente à espécie Chelonia mydas, esta é uma das três espécies de quelónios marinhos (tartarugas-verdes, comuns, e de-couro) que tendem a ser avistadas nas águas oceânicas que banham as costas portuguesas. 

Normalmente, e devido aos seus ciclos de vida e migratórios, apenas os juvenis de tartarugas-verdes são avistados nas nossas águas – e esta não foi um excepção. Aquando da entrega no  Centro de Reabilitação de Espécimes Marinhos do Zoomarine, a Kara (como entretanto foi baptizada) pesava 5,7 quilograma; quase um ano volvido, a Kara, ainda um juvenil, pesa agora 8 quilograma e cresceu quase 3 centímetros (33,7 para 36,3) – o que, para um réptil, não deixa de ser um aumento muito significativo em tão curto espaço de tempo.


A Kara, não obstante o passado recente, teve sorte… Todos os dias, por todo o mundo, centenas de tartarugas marinhas perdem a vida, vítimas de problemas tão variados como pneumonias, infestações (excessiva carga de parasitas), letargia devido às baixas temperaturas da água, infecções e outras patologias naturais. Cada vez mais, no entanto, as causas de morte são antrópicas, atendendo ao crescente números de vítimas, por exemplo, de redes de pescas e de anzóis, capturadas para consumo e/ou para artesanato, cortadas por hélices de barcos e/ou atropeladas por embarcações em rápida velocidade… E, cada vez mais, também vítimas da inocente ingestão de produtos resultantes da irresponsabilidade humana: plásticos e seus derivados.

Mais pesada, mais comprida, mais activa e mais forte, a Kara vai enfrentar esses constantes e crescentes desafios; mas, se tudo correr como desejamos, também irá ter oportunidade de crescer e de se reproduzir – a bem da espécie e a bem do nosso planeta.A devolução da Kara ao meio selvagem terá lugar na próxima quinta-feira, a bordo de um navio da Marinha Portuguesa, que, como habitualmente, colaborará com o Zoomarine nesta acção de Conservação da Natureza e de Educação para a Sustentabilidade.

A singradura levará a tartaruga (e alguns dos elementos da equipa de reabilitação) até cerca de 10 milhas náuticasa sul de Portimão. Marcada com duas anilhas e um “microchip”, será neste ponto que a tartaruga, se tudo correr como se deseja, será, pela última vez na sua vida (que poderá durar mais algumas dezenas de anos…), tocada por mãos humanas. O que, neste caso, seria um bem promissor sinal..

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